As vóvós de hoje não se parecem nem um pouco com as de antigamente. No dia da avó, a escritora gaúcha Lya Luft fala com o site do Canal Futura sobre essas mudanças. Ela mostra como as vovós de hoje têm blogs, dirigem o próprio carro, viajam, namoram e, em geral, são muito mais felizes. Confira.
Em alguns textos, você fala sobre a idade a as transformações que enfrentamos com o passar do tempo. O que muda quando você fica avó?
Fiquei avó meio cedo, aos 49 anos. Hoje, aos 71, tenho sete netos, entre sete e vinte e dois anos, quatro rapazes e três meninas. Acho que uma das delícias de ser avó é não precisar educar. As crianças me chamam de vovó da bagunça. Meu lema é: na casa da vovó a gente só tem de ser feliz. De modo que é muito doce, divertido e terno. Parece que se a gente gostou muito de ser mãe, vai adorar também ser avó.
É melhor ser avó do que ser mãe? Você se relaciona com seus netos do mesmo jeito que se relacionava com seus filhos?
Eu me relaciono do mesmo jeito, sempre adorei crianças, sempre procurei um clima amoroso e alegre, descomplicado. Continuo do mesmo jeito com meus netos e netas, mas talvez menos estressada porque nesta altura da vida trabalho muito menos, me divirto muito mais, mil coisas que aos trinta anos me deixavam aflita hoje nem me fazem piscar. Vantagens da idade.
A expectativa de vida da mulher aumentou nos últimos anos, assim como a qualidade de vida. Você acha que isso mudou nossas avós? Elas estão diferentes?
Todos estamos diferentes, mas especialmente avós (e avôs) mudaram muito para melhor: a gente viaja, estuda, dirige seu carro, ou aprende a ser alegre mesmo sem agitação (meu caso em parte), curtindo a casa, os amigos, a família, os livros, a musica, a natureza, acumulando afetos. Desapareceu ou está desaparecendo a avó tradicional de cabelo banco, avental, fazendo bolo. Não que não se possa fazer bolo, claro, mas não é a essência da avó. Ela passou a ser uma espécie de mãe mais tranquila, quem sabe.
Como você se aproxima de seus netos? Existe uma regra para se relacionar bem com uma geração tão diferente?
Nunca pensei nisso. Nunca precisei me aproximar dos meus netos. A gente convive de modo natural, assim como a mãe não pensa em e aproximar dos filhos, não é? Somos uma família, convivemos com uns mais, com outros menos, conversamos muito, nos interessamos uns pelos outros, tudo natural, espontâneo e amoroso.
Você acha que é possível ser avó e ainda assim, não envelhecer?
Não acho que a gente não deva envelhecer. Por que ser sempre jovem, o que é contra a natureza? Não vejo mal em envelhecer. Não quero chegar um dia aos oitenta ou noventa "com espírito jovem". Quero ter o espírito de cada fase, com alguma elegância, alegria, e ternura.
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26 de julho: dia da avó. Envie para ela a homenagem do Canal Futura.