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27/01/10
Mapeando o país: José Britto percorre o interior da Bahia.

Desde sábado, o Futura está percorrendo o interior da Bahia, acompanhando o trabalho da equipe que realiza a Nova Cartografia Social do Brasil. As reportagens, pela primeira vez no Canal, estão sendo feitas unicamente pelo repórter José Britto, utilizando uma câmera amadora, um laptop e um simples programa de edição. As imagens são enviadas para o Rio de Janeiro pela internet e exibidas no Jornal Futura diariamente.

Acompanhe aqui o trabalho diário dessa viagem ao sertão baiano em busca dos modos de vida dos brasileiros.

O pai faz, a mãe cria e a caatinga mata.
Por: José Britto Cunha*

Em menos de dois dias na Bahia, já rodei mais de 1.200km pelas estradas da caatinga. Em Salvador, encontrei com Franklin de Carvalho, cientista social e antropólogo que realiza estudos sobre as comunidades de fundo de pasto no Brasil. Franklin serviu de referência para elaboração das pautas da reportagem e vem atuando ao meu lado na abordagem junto aos moradores. Completando a equipe, Roberto Fernandes, mobilizador comunitário do Canal Futura e Orly Passos, motorista boa praça, que é o clone de Amado Batista.

 No sertão, muita estrada ruim e paisagens maravilhosas. Nos pequenos povoados, sombrinhas coloridas traduziam o calor do nordeste.  De cidade em cidade, chegamos a Senhor do Bonfim. Lá conversei com lideranças locais. Os diretores das associações de fundos de pasto foram muito gentis e passaram a tarde contando histórias daquela região.

"Só lembram para falar mal"

Uma comunidade de fundo de pasto é caracterizada por unir grupos de famílias que vivem do uso comum dos recursos naturais. Normalmente estão localizadas, adivinhem… no fundo de grandes pastagens.  Vivem da criação de bodes e do cultivo de frutas como o umbu. Sob uma destas sombras, conversei com a família Araújo. “O que a gente precisa é de mais atenção do governo. Só lembram da gente em época de seca pra falar mal do Sertão” , afirma Tânia Araújo, moradora de uma comunidade no município de Jaguarari.

O motivo da reportagem é mostrar a capacidade de articulação destes grupos a partir de um projeto que une os conhecimentos tradicionais do sertanejo à tecnologia. Com papel e lápis nas mãos, moradores desenham o que entendem pelo ambiente em que vivem. Com máquinas fotográficas e aparelhos de monitoramento geográfico, pesquisadores auxiliam os grupos na elaboração de novos mapas. Estes mapas servirão de base para o argumento das lideranças comunitárias na esfera pública, a fim de buscar o desenvolvimento humano e o reconhecimento de direitos do povo de fundos de pasto.  É a cartografia social.

* José Britto Cunha é jornalista do Canal Futura. 

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